Conheça Kika Correia, a empreendedora do Tatuapé que viu nos terrários um ótimo negócio

Agrônoma, ela começou de forma despretensiosa a produzir terrários e soube transformá-lo em negócio quando viu a oportunidade.

Você sabe o que é um terrário? De forma muito resumida, são pequenos ecossistemas naturais, sendo os mais comuns aqueles potes de vidro fechados com plantas dentro. No passado, os terrários tinham o objetivo de transportar plantas. Isso porque o ecossistema criado dentro destes potes permitia às plantas sobreviverem a longas viagens e, desta forma, as espécies não morriam antes de chegar ao seu destino.

Terrários são ecossistemas engarrafados. Pode parecer estranho, mas as plantas sobrevivem em potes fechados porque cria-se um microclima ali dentro. Foto: Divulgação

O tempo passou e nos últimos dez anos os terrários se popularizaram. Viu-se então a possibilidade de utilizar esta técnica na decoração. Além de ser um lindo item decorativo, o terrário ajudaria inúmeras pessoas que gostam de plantas, mas não sabem cuidar, a ter algumas espécies em casa.

O NEGÓCIO

É aí que começa a nossa história com a Kika Correia, da Vi Verde Amor – Plantaria Urbana. Ela se especializou na produção de terrários e se tornou, em menos de três anos, uma empreendedora bem-sucedida no Tatuapé.

Durante algum tempo, ela trabalhou sozinha, dividindo o próprio espaço de casa com as plantas e os itens de produção. O negócio deu tão certo, que hoje Kika conta com a ajuda de várias pessoas e divide o seu tempo entre a criação das peças em seu ateliê, com aulas, oficinas, consultorias e no atendimento pós-venda de seus terrários.

Kika Correia em seu ateliê, no Tatuapé. Foto: Vanessa de Sousa Fernandes

Ela conta que começou nesse negócio por acaso. “Fui visitar um amigo e vi que ele não tinha nenhuma plantinha. Perguntei: você não gosta de plantas? Ele disse: gosto, mas não sei cuidar, não sei podar, não sei adubar e não sei colocar água na medida certa. Pensei: vou fazer um terrário pra dar a ele”.

Kika, que é engenheira agrônoma, tinha aprendido sobre terrários na faculdade. “Tivemos um semestre inteiro que falava só de paisagismo e a professora propôs que entendêssemos como funcionava o ecossistema de um terrário. Na época a ideia era apenas voltada às plantas, e não à estética. Era apenas para observar o comportamento das espécies em um ambiente condicionado.”

VIDA DE EMPREENDEDORA

Kika confessa que nunca teve um olhar econômico sobre os terrários. Com o foco sempre na área agrícola, lavouras e grandes extensões de áreas de horticultura, ela chegou a morar nos Estados Unidos e trabalhar na produção de tomates.

“Há cerca de três anos, quando voltei para o Brasil, comecei a sentir a necessidade de estar mais próxima das plantas. Certo dia, entrei numa lojinha e vi que com o que tinha no departamento de jardinagem dava para fazer um terrário. Gastei R$ 30 e fiz seis peças, sendo uma delas para aquele meu amigo que não tinha plantas. Mandei as fotos pelo WhatsApp e o sucesso foi tanto que vendi as outras cinco peças. Foi neste momento que percebi o mercado que havia por trás dos terrários.”

Com a repercussão rápida, Kika começou a fazer peças sob encomenda para os amigos e amigos dos amigos. Ela conciliava a produção com o seu trabalho na área de Marketing de Agroindustrial, voltado para o agronegócio.

“Trabalhava de dia na empresa e à noite nos terrários. Até que chegou um momento, em menos de três meses, que sai do emprego e me voltei totalmente à criação das peças.”

Kika Correia

Ela conta que fez pesquisa de mercado e percebeu que eramm poucoas as pessoas que vendiam esse tipo de produto na Zona Leste. “Quando comecei, não havia ninguém no Tatuapé. As referências eram todas da Zona Sul. Então vi no bairro uma grande oportunidade. E deu certo!”.

Para divulgar o seu trabalho, Kika também investiu nas redes sociais e na interação com as pessoas. Os clientes vieram, assim como os pedidos para dar aulas. “Tudo foi acontecendo de forma natural. Muitos dos meus alunos hoje comercializam terrários. E isso é muito gratificante.”
Ela conta que há muita dedicação em tudo, principalmente com a qualidade de vida das plantas. “Chego a deixar de fazer determinados terrários porque sei que não há como atender o pedido do cliente e as plantas não vão sobreviver. Além disso, o meu pós-venda é constante.”

CURIOSIDADES SOBRE TERRÁRIOS

  • Ter o conhecimento técnico das plantas que vão bem dentro do terrário é muito importante. Assim como quais espécies conseguem conviver juntas e preparar um solo de altíssima qualidade.
  • A estrela-base do terrário é o musgo, que adora umidade.
  • Também é necessário que as plantas recebam luz, para que a fotossíntese ocorra e garanta a sobrevivência das espécies.
  • A manutenção deverá ocorrer quando as plantas crescerem muito, morrerem ou tiverem folhas amarelas. Isso deve acontecer a partir do sexto mês de sua confecção.
  • O terrário só vai precisar de rega caso não haja indícios de transpiração das plantas no vidro. Isso significa que a água adicionada inicialmente foi toda consumida pelas plantas ou evaporou. Ai a pessoa pode abrir rapidamente a tampa e adicionar mais água. A quantidade vai depender do tamanho do pote e das espécies dentro dele.
  • Água, luz e nutrientes são os três elementos essenciais para que o terrário se desenvolva. Nos potes fechados, as plantas criam um micro-clima próprio e regulam a sua atmosfera de forma natural para sobreviverem.
  • Um erro muito comum é abrir a tampa quando o vidro está suado. Quando isso ocorre, a água evapora e a sua reserva some, prejudicando o desenvolvimento das plantas. E ainda acontece a troca de gases e a modificação da atmosfera criada pelas plantas.
  • A decoração é feita a partir de muita criatividade e paciência. O tempo de trabalho varia de acordo com o tamanho de cada pote. Quanto menor, mais detalhes serão necessários.

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