E o Ceret teve seu #Trashtagchallenge

Uma turma de alunos que treina no Ceret saiu pegando lixo pelas ruas do bairro, o que gerou muitas reflexões!

Às 6h45 da última terça-feira, dia 26, a professora Juliana Romantini chegou ao Ceret carregando luvas e sacos de lixo. As três turmas para as quais ela dá aula no parque receberam o desafio de sair para recolher lixo pelas ruas do bairro. Juliana se inspirou no movimento #TrashtagChallenge para propor essa aula inusitada aos alunos. “Fiquei sabendo desse movimento pela escola do meu filho, a Wish School, que também estava incentivando as famílias a olharem para essa questão”, conta.

O movimento #TrashtagChallenge ganhou corpo nas redes sociais neste mês de março, quando o seguinte post foi publicado no Facebook: “Aqui está um novo #desafio para vocês, adolescentes entediados. Tire uma foto de uma área que precise de alguma limpeza ou manutenção, depois tire uma foto mostrando o que fez em relação a isso e poste a imagem. Aqui estão as pessoas fazendo isso #BasuraChallenge #trashtag Challenge, junte-se à causa. #BasuraChallengeAZ”.

Foi o que bastou para reacender essa ideia. Reacender porque o #TrashtagChallenge não é um desafio novo. Foi criado em 2015 pela fabricante de produtos de camping UCO Gear, como parte de uma campanha para proteger áreas silvestres.

A viralização foi rápida. E independentemente dos motivos de quem criou a hashtag, ela fala diretamente com TODO MUNDO, afinal TODO MUNDO gera lixo.

Por que recolher lixo na hora da atividade física? A Juliana é louca?

Sou aluna da Juliana e posso dizer que sair recolhendo lixo pelas ruas exige abrir a cabeça, pensar no macro, sair um pouco da zona de conforto. Mas, como a metodologia que ela usa – a Prática Integral – nos provoca isso o tempo todo, todo mundo se engajou facilmente à ideia.

Antes de os alunos recolherem o lixo

Para Juliana, estimular os alunos a ir para a rua participar do #TrashtagChallenge tem tudo a ver com a filosofia da Prática Integral, não só porque é uma forma diferente de fazer a atividade aeróbica (afinal, a gente caminhou 45 minutos pegando lixo), mas porque é uma forma de provocar os alunos a, de fato, perceber a vida de forma integral. “Quando olhamos para o mundo e para as nossas ações, começamos a perceber que o mundo lá fora tem muito a ver com o mundo aqui dentro. Como eu cuido do meu lixo? Como eu cuido do meu corpo? Como eu cuido do planeta, que é onde eu vivo? Isso tem a ver com os muitos olhares que a Prática Integral provoca”, diz.

O que essa atividade revelou sobre o bairro?

Participar desse desafio foi impactante e revelador. O que encontramos andando APENAS na calçada em volta do Ceret: cueca, dezenas de canudos, muitos cocos jogados nos canteiros, calota, garrafas e latas de cerveja, galão de água, bitucas de cigarros aos montes, papéis de bala, caixa de papelão, marmitex com resto de comida e, pra mim, o incompreensível: sacolas plásticas com o cocô do cachorro dentro. Isso significa que a pessoa recolhe o cocô do cachorro e deixa a sacola ao pé da árvore. Inadmissível.

No começo, eu achava que naquele pedaço não teria lixo suficiente para encher os três sacos pretos. Foi um engano monumental. De papel de bala em papel de bala, de bituca de cigarro em bituca de cigarro e de coco em coco, os sacos foram enchidos e, se tivesse mais, também ficariam cheios.

O impacto do desafio, portanto, não foi ter limpado um pouco os arredores do parque, mas sim nos encher de reflexões. Qual a nossa responsabilidade sobre o lixo? Como estamos cuidando do lixo que geramos? Será que é nossa responsabilidade limpar o lixo que o outro jogou no lugar errado? Será que o poder público é que tem a obrigação de recolher todo o nosso lixo? E, pra mim, a grande questão que fica é: quando dizemos que “jogamos fora”, jogamos fora onde? Porque o lixo não se desintegra e some no espaço como poeira cósmica: ele vai para os rios, para os bueiros, para as florestas, para o mar, para o estômago de uma baleia. Não existe fora.

“O resultado desse desafio veio fortalecer um poder de egrégora e união que eu acho que todos nós temos. Precisamos estar juntos e unidos por uma causa maior. Só assim a gente vai conseguir transformar algo que impacte a sociedade”.

Juliana Romantini

Sim, é uma ação minúscula diante do mundo em que vivem bilhões de pessoas. Mas assim como o papel de bala que ajudou a encher 3 sacos em 45 minutos, cada uma das pequenas ações podem transformar algo. Reflitam (e cuidem do seu lixo, please!)

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