O Davi, do Ceret, e suas histórias

Réplica da obra de Michelangelo, estátua do Davi está na entrada do Ceret desde os anos 1970 e carrega muitas histórias que a gente conta por aqui.

A réplica da estátua de Davi, de Michelangelo (1475-1564), em frente à entrada principal do Ceret, é cheia de histórias. Ela está neste local desde o começo dos anos 1970 e por pouco não voltou, em 2002, para o seu endereço de origem: o estádio do Pacaembu.

Quando foi anunciado que a peça deixaria o Ceret, moradores e visitantes do parque ficaram com os ânimos exaltados. Na época, eu trabalhava na redação da Gazeta do Tatuapé e recebemos uma enxurrada de manifestações contrárias a essa mudança.

TIRADA PELO TOBOGÃ

Por que o Pacaembu? A réplica de Davi foi colocada no estádio antes mesmo de sua inauguração, no ano de 1940, pelo então prefeito Prestes Maia (1939-1945). Ela ficava na frente da antiga concha acústica e foi retirada de lá durante a construção do tobogã, em 1969. Então, a sua morada passou a ser a Zona Leste.

Depois de 27 anos de sua chegada ao Ceret e por conta de um projeto para resgatar a história do Estádio do Pacaembu, o administrador da época, Olívio Pires Pitta, começou a revindicar a estátua de volta.

ELA FICA!

No meio de todo este processo havia um detalhe muito importante: o Ceret era vinculado ao Governo do Estado, e não à Prefeitura, como acontece atualmente. Ou seja: um espaço estadual com uma peça municipal.

O Davi, bem na entrada do Ceret. Foto: Vanessa de Sousa Fernandes

Um fato que enalteceu este impasse foi quando, em uma tentativa de retirada do Davi, o então responsável pela administração do Ceret, Antônio Raphael de Vita, literalmente impediu que os funcionários da prefeitura levassem a peça. Tipo: “daqui ela não sai!”

MANUTENÇÃO

A peça ficou e o tempo foi passando… E como acontece com todas as obras de arte, ela gritava por reparos. Os jatos d’água dos banhos dados pela Prefeitura não surtiam mais o efeito desejado. E aí começa outra história.

Quando o Liceu de Artes e Ofício de São Paulo pegou fogo, algumas peças foram danificadas. Dentre elas estava uma outra réplica da estátua de Davi que, por conta do incidente, precisava de reparos.

Então, de onde tirar o molde? Da réplica do Ceret! Integrantes da equipe da empresa de restauros Julio Moraes, responsáveis pelo trabalho no Liceu, passaram a frequentar o Ceret e trabalhar na retirada dos moldes dos braços da estátua.

O ano era 2017 e o parque já tinha passado às mãos da prefeitura. O seu diretor era Mohamede Mourad e as equipes da Julio Morais foram pela primeira vez ao local no dia 1° de fevereiro para dar início aos trabalhos.

E foi neste momento que os técnicos constataram que estava faltando um dedo de uma das mão do Davi. Diante disso, a empresa se colocou à disposição para fazer um novo dedo e recolocá-lo.

Por fim, também realizaram uma megalimpeza, pintaram novamente a peça e acabaram adotando a réplica, se colocando à disposição para a sua manutenção a partir daquele momento.

Agora vocês sabem um pouquinho mais da história desta peça que tanto chama atenção e é conhecida entre os frequentadores do Ceret, carinhosamente, como “peladão”.

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