Como funciona um parklet e onde eles estão no bairro

Extensões das calçadas, os parklets começaram a aparecer no bairro em 2015. São estruturas pensadas para deixar a cidade mais amiga do pedestre.

No mundo, quando se fala em desenvolvimento urbano, fala-se em cidades mais humanas, que priorizam as pessoas em vez dos carros. Na prática isso significa deixar a cidade mais atrativa para quem anda a pé. Porque a melhor forma de ocupar os espaços e levar vida a uma cidade é ter gente na rua. Um lugar com gente na rua atrai mais pessoas, enquanto um lugar ermo vai afastar as pessoas e ficar cada vez mais vazio. E a forma de levar as pessoas pra rua é oferecer estrutura – como mobiliário urbano – comércio, segurança, coisas para ver, ouvir e sentir.

Os parklets fazem parte dessas estruturas urbanas amigas dos pedestres. São extensões temporárias das calçadas criadas a partir da conversão de uma ou duas vagas de estacionamento em um espaço de convivência. Podem ser equipados com bancos, floreiras, mesas, cadeiras, guarda-sóis, aparelhos de exercícios físicos, paraciclos ou outros elementos. A ideia por trás deles é oferecer mais espaço para as pessoas conviverem dentro das cidades, além de ser um local de apoio para quem se desloca a pé ou de bicicleta. Podem ser usados como uma área de descanso, um lugar onde as pessoas possam parar para fazer uma ligação, mandar um e-mail, ler um jornal, tomar um sorvete, ou simplesmente relaxar.

Parklet na Rua Itapura, em frente a sorveteria Bartô

No mundo, o conceito dos parklets começou a surgir em 2003 e se consolidou em 2005, nos dois casos em São Francisco, nos Estados Unidos, como um jeito de tornar a cidade melhor para as pessoas e de discutir sobre o uso do espaço público. Em São Paulo, a ideia apareceu em 2013, com a instalação de um parklet temporário pelo Instituto Mobilidade Verde na esquina da Avenida Paulista com a Rua Padre João Manuel. Em 2014, a prefeitura regulamentou a instalação desse tipo de equipamento e, hoje, há 131 parklets implantados na cidade.

No Tatuapé, eles começaram a aparecer no final de 2015. O primeiro foi o da Rua Tuiuti, perto do Shopping Bolevard, que ainda está em funcionamento. Levantamos ainda mais quatro parklets no bairro: dois na Rua Itapura, um na Rua Antônio Camardo e um na Rua Euclides Pacheco.

Como funciona um parklet

Por ser uma extensão da calçada, o parklet é sempre um espaço público. Não existe horário de funcionamento, nem é permitido fechá-lo com correntes ou cordas, ou seja, eles precisam funcionar durante as 24 horas do dia, sete dias por semana e devem ter uma placa instalada com a mensagem “Este é um espaço público acessível a todos”. É vedada, em qualquer hipótese, a utilização exclusiva, inclusive por seu mantenedor. Bares e restaurantes, por exemplo, não podem usá-los como extensão de seus empreendimentos.

A pessoa física, o poder público ou a empresa que solicitou a instalação do parklet é a responsável pela sua manutenção durante o período de vigência da licença, que é de três anos. A instalação não pode ocupar espaço superior a 2,20m de largura, contados a partir do alinhamento das guias, por 10m de comprimento em vagas paralelas ao alinhamento da calçada, ou de 4,40m largura por 5m de comprimento em vagas perpendiculares ou a 45 graus do alinhamento.

Parklet na Rua Itapura, em frente ao Restaurante La Pergoletta

Uma rua pode ter mais de um parklet (como acontece na Rua Itapura) desde que seja mantido um espaço de cinco metros entre eles.

Por mais que muita gente ainda acredite que eles atrapalham a vida urbana porque tiram espaço para carros estacionados, esta é justamente a ideia por trás deles. Enquanto um espaço de duas vagas de automóveis beneficia 40 veículos em um dia, cerca de 300 pessoas podem ser beneficiadas pelo parklet. Mas, pra isso, é preciso que elas se sintam encorajadas a utilizá-los, que estejam nas ruas, convivendo com os outros. Por isso, apenas instalar parklets por aí não vai resolver o problema da mobilidade urbana e nem fazer com que mais gente ande a pé. Mas já é um bom começo.

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