Bar do Berinjela – o Boteco sustentável do Tatuapé

Separação do lixo, placas de energia solar, reciclagem do óleo e reaproveitamento das cascas da berinjela são algumas das ações que a família Berinjela implantou para deixar o bar mais sustentável.

O Bar do Berinjela é um negócio familiar. Começou em 1954, quando o imigrante português Manuel Gomes Leitão largou a feira para abrir o bar que foi batizado com o seu apelido. A alcunha tem a ver com o legume que seu Manuel vendia na feira, mas naquela época o bar não tinha nenhum petisco feito com berinjela.

Hoje, o bar é administrado pelo filho do seu Manuel, José, junto com a esposa, Débora, e dois filhos, Lívia e Caio, e tem como carro chefe petiscos e pratos feitos com berinjela. Pode-se dizer, aliás, que a berinjela salvou o bar do Berinjela. Explico: em 2012, o bar venceu o concurso Comida di Boteco e essa vitória salvou a família de baixar as portas do negócio. Lívia conta que na época as dívidas eram impagáveis e o destino parecia selado. Resolveram fazer uma última tentativa participando do concurso. Débora teve a ideia de criar um petisco usando a berinjela que dá nome ao bar e assim nasceu o Bolinho de Berinjela. Eles venceram o concurso e começaram a ver filas se formarem na porta do bar. Pagaram as dívidas e tiraram da frente a ideia de fechar as portas. “O Comida di Boteco foi um divisor de águas pra gente”, diz Livia. Desde então, o bar está no roteiro de bares para conhecer em São Paulo e atrai, segundo Lívia, gente de toda a cidade e também de outros municípios.

Mas quem senta ali para petiscar, conversar e se divertir pode nem saber que o Bar do Berinjela vive um momento “boteco sustentável”. Pois é, no dia a dia, o bar separa o lixo, recicla o óleo, reaproveita as cascas da berinjela, e tem até duas placas de energia solar que permitem começar a experiência de usar uma energia mais limpa na operação.

Surpresa de Berinjela, o bolinho que ganhou o Comida de Buteco em 2012 e mudou a história do bar. Foto: divulgação

Lívia, que é gestora ambiental, foi quem deu o start nesse projeto. A primeira medida que ela implementou foi a separação do lixo orgânico do reciclável. Foram colocadas lixeiras separadas nas áreas do bar, feito um trabalho de conscientização dos 8 funcionários e também dos membros da família e o resultado é que a quantidade de lixo destinado ao aterro caiu drasticamente. “Antes, a cada três dias a gente descartava 15 sacos de 100 litros com todos os resíduos misturados. Hoje, são 3 sacos de lixo a cada 3 dias com o lixo orgânico. O restante é lixo reciclável que a gente mesmo leva para um ponto de coleta no Pão de Açúcar”, conta Lívia. Débora, que comanda a cozinha, achava que seria um processo difícil, mas conta que se surpreendeu em como esse hábito de separar os resíduos foi rapidamente incorporado na rotina do bar. “Antes, parecia que era um bicho de sete cabeças, mas não é”, diz.

O óleo usado na cozinha também é reciclado. Foi feita parceria com uma empresa que recolhe o produto no local e o transforma em combustível, o que evita o problema do descarte de óleo na rede de esgoto da cidade.

Petisco com casca reaproveitada

O Berinjelovsky é um petisco feito com as cascas de berinjela. Foto: Divulgação

Por semana, o Bar do Berinjela utiliza cerca de 180 quilos de berinjela. É muita coisa e até bem pouco tempo atrás, a casca ia para o lixo. Mas, no ano passado, eles criaram o Berinjelovsky, um antepasto feito com as cascas da berinjela usada para preparar o kiberinjela e o famoso bolinho. Servido com pão italiano e batata chips, mostra que a sustentabilidade é, também, uma questão de criatividade. O prato foi feito para o Comida di Boteco de 2018. Não ganhou o prêmio, mas tem conquistado a clientela vegetariana e vegana do bar que, segundo Lívia, tem crescido.

Energia Solar

Placas solares foram instaladas no bar e são usadas em algumas lâmpadas. Foto: divulgação

Também em 2018, o Bar do Berinjela ganhou duas placas de energia solar. É um projeto ainda bem experimental e, por ser recente, eles ainda não conseguem mensurar o resultado. Por enquanto, as placas estão ligadas a quatro lâmpadas fluorescentes grandes e têm funcionado bem. Lívia acha que é difícil conseguir usar energia solar no bar todo porque há um consumo muito alto com as geladeiras. Mas acredita que se funcionar no básico, como as lâmpadas, já vai ajudar o bar e o planeta.

Esse boteco tradicional do Tatuapé pode ou não pode ser considerado um exemplo de que as mudanças para a sustentabilidade dependem muito de atitudes pessoais, mudanças em alguns processos e, claro, uma vontade de querer fazer diferente?

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