Jardim de chuva: como melhorar a relação da cidade com a água da chuva

Técnica, que já chegou ao Tatuapé, transforma canteiros e rotatórias em espaços permeáveis, que abastecem o lençol freático e drenam o excesso de água nas ruas. 

Quem passa pela Rua Bonsucesso ou pela Rua Platina com a Visconde de Itaboraí pode já ter percebido que as rotatórias estão “verdinhas”, cobertas de plantas. São Jardins de Chuva, um espaço permeável, que funciona como uma grande esponja de água. A ideia básica é criar entradas nas guias das rotatórias ou canteiros para que a água que escorre pelas ruas possa penetrar e ocupar o espaço. A terra é preparada de forma que fique super permeável e a água possa se infiltrar lentamente, mantendo a umidade do solo, alimentando o lençol freático e voltando para a rua mais limpa e em menor quantidade. Plantas nativas, capazes de sobreviver em situações extremas – com muita água ou secura total (afinal, não chove o ano todo) – cobrem os canteiros e ajudam a trazer biodiversidade para a cidade.

O ativista e paisagista Nik Sabey, do Novas Árvores por Aí, foi quem coordenou as obras dos jardins de chuva do bairro, incluindo o que foi feito no Espaço Platina, na Radial Leste. Ele é um defensor desse tipo de equipamento para melhorar a relação da cidade com a água e até para diminuir as enchentes. “A gente consegue uma diferença grande com uma mudança pequena”, diz. Ele lembra que em São Paulo os jardins de chuva podem ajudar a amenizar o problema da água que os prédios soltam nas ruas e vão, literalmente, para o ralo. “Isso acontece porque os prédios cavam para fazer o subsolo, chegam ao lençol freático e a água acaba minando. Para não ter um alagamento, ela é bombeada para a rua. Em locais onde isso acontece, o jardim de chuva vai se beneficiar dessa água mesmo nos períodos de seca”. Bom, e o Tatuapé possui muitos prédios que adotam essa prática.


A história

A ideia de transformar os canteiros em espaços permeáveis, preparados para receber a água da chuva, começou para resolver o problema de alguém em situação de extrema vulnerabilidade. Zephaniah Phiri Maseko, morador do Zimbábue, precisava alimentar a família e não tinha dinheiro nem trabalho, apenas um terreno. Foi observando o caminho que a água fazia nas suas terras que ele criou um jeito de captá-la e aproveitá-la de forma inteligente para ter alimento o ano todo. Por toda sua terra Phiri fez com que a água da chuva descesse com menor velocidade, apenas com a ajuda da força da gravidade, e fosse absorvida pela vegetação. Assim, conseguiu plantar e colher para ter alimento o ano todo.

O permacultor americano Brad Lancaster foi conhecer de perto essa história e levou a ideia para Tucson, no deserto do Arizona. Ele começou a aplicar os conceitos na sua casa. O que aconteceu foi que a paisagem se modificou, as inundações que aconteciam na época das chuvas acabaram e houve uma economia de água usada na irrigação do jardim. O negócio inspirou os outros moradores do bairro e virou política pública. O bairro ficou mais verde, mais seguro (porque as pessoas saiam mais de casa), mais fresco e mais bonito.


Jardim de Chuva em Tucson Arizona, onde a técnica virou uma política pública


Será que esses jardins podem transformar o nosso bairro?

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